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Moda plus size: a inclusão que transforma o mercado e abre caminho para o têxtil
Passarelas internacionais, eventos brasileiros e dados de mercado apontam para a mesma direção: vestir mais corpos é uma demanda real.
Para quem trabalha com tecido, essa mudança representa uma oportunidade de crescimento. Veja a seguir os pontos que o setor têxtil pode avançar.
Passarelas que começam a refletir a vida real
Pelo segundo ano seguido, a Victoria’s Secret retomou a inclusividade em seu desfile e colocou corpos diversos sob holofotes que por muito tempo pertenceram a um único padrão.
Modelos plus size como Ashley Graham, Paloma Elsesser e Precious Lee dividiram a passarela com nomes históricos como Adriana Lima e Gigi Hadid. As imagens dos destaques revelam uma vitrine mais próxima da diversidade que existe fora dela. O gesto, ainda assim, segue sendo exceção.
A representatividade ainda é pequena
Os números mostram o tamanho do desafio que permanece. Segundo o levantamento de inclusão de tamanhos da Vogue Business sobre as coleções de primavera 2026, dos 9.038 looks apresentados em 198 desfiles e apresentações, 97,1% eram de tamanhos padrão (EUA 0-4), 2% de tamanhos médios (EUA 6-12) e somente 0,9% plus size (EUA 14+).
Em outras palavras, quem veste manequins maiores quase não apareceu nas passarelas da temporada. A diversidade que existe na rua ainda encontra pouco espaço sob os holofotes da moda.
O dado também revela que o avanço caminha devagar. O resultado representou uma melhora de menos de 1% em relação à temporada anterior, quando 97,7% dos looks eram de tamanhos padrão, 2% médios e apenas 0,3% plus size.
Na comparação com a coleção Primavera/Verão 2025, a presença plus size ficou praticamente igual, enquanto a representação de tamanhos médios caiu pela metade. São oscilações pequenas que mostram um movimento ainda tímido diante de um público numeroso.
É justamente por esse atraso que gestos de marcas com grande alcance ganham peso. Quando uma empresa do porte da Victoria’s Secret rompe com o padrão e coloca corpos variados em cada segmento, ela sinaliza ao restante da indústria que existe demanda esperando para ser atendida.
Cada iniciativa nessa direção amplia a referência disponível e convida outros nomes a repensarem suas próprias escolhas de casting e de produto.
Moda plus size no Brasil: um público numeroso e pouco atendido
Para entender o tamanho dessa demanda, vale olhar para dentro de casa. O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, publicado em 2024, mostra que a obesidade autorreferida entre adultos no Brasil saltou de 11,8% em 2006 para 24,3% em 2023.
São 12,5 pontos percentuais a mais ao longo do período, um aumento de cerca de 105,9% em pouco mais de uma década e meia. Por trás de cada ponto desse gráfico existem pessoas que precisam, todos os dias, encontrar roupas que vistam bem e que respeitem quem elas são.
Esse crescimento populacional caminha lado a lado com a expansão de um mercado que ainda tem muito espaço para amadurecer. Nos últimos dez anos, o segmento de moda plus size no Brasil cresceu 75,4%, segundo o relatório setorial da Associação Brasil Plus Size divulgado no ano passado.
Só no último triênio, o avanço foi de 21%, e o setor movimentou R$ 9,6 bilhões em 2022, conforme aponta a análise do mercado plus size publicada pela CNDL. Os números confirmam o que a vida cotidiana já mostra: há um público amplo e disposto a consumir.
Ainda assim, o ritmo da oferta não acompanha o da procura. Quem veste tamanhos maiores continua esbarrando em prateleiras limitadas, poucas opções de modelagem e baixa variedade de estilo.
Essa distância entre o que existe e o que se deseja não é apenas um problema de mercado, mas uma questão de respeito a corpos que sempre estiveram aqui. Atender bem esse consumidor passa por enxergá-lo como ele é: alguém com desejos, ocasiões e um jeito próprio de se vestir.
Fashion Weekend Plus Size: um movimento que ganhou espaço no Brasil
Há anos o Brasil constrói seus próprios espaços de moda plus size, e o Fashion Weekend Plus Size é um dos mais simbólicos.
Sob direção de Renata Poskus, o evento estreou em janeiro de 2010, em São Paulo, num momento em que corpos gordos e marcas voltadas a esse público raramente eram acolhidos nos grandes circuitos de moda. Mais que um desfile, ele nasceu como uma resposta a quem vinha sendo deixado de lado.
Ao longo de quase duas décadas, o FWPS reuniu desfiles, palestras e salão de negócios em espaços como o Memorial da América Latina e o Centro de Convenções Frei Caneca. A 20ª edição, realizada em 2024, foi dedicada a revelar novos talentos da moda plus size, abrindo a passarela para estilistas e modelos que estreavam no setor.
O evento ajudou a dar visibilidade a marcas de todo o país e a mostrar que existe criatividade, demanda e mercado pedindo reconhecimento.Iniciativas como essa cumprem um papel que vai além da moda: afirmam que diversidade de corpos merece lugar nas vitrines e nas conversas do setor.
Cada edição fortalece uma rede de profissionais, fornecedores e consumidores que sustentam esse segmento. Para a indústria, acompanhar esses movimentos é uma forma de entender, na prática, por onde a demanda caminha e o que o público realmente espera encontrar.
Para este ano, o FWPS reserva os dias 7 e 8 de novembro de 2026 em seu calendário, trazendo como destaque principal os talentos gordos da comunidade LGBTQIAPN+ entre artistas, modelos e estilistas.
Para o setor têxtil, inclusão é oportunidade
Toda essa transformação começa bem antes da vitrine: nasce na escolha do tecido. Vestir uma variedade maior de corpos pede malhas com bom caimento, elasticidade adequada e estampas pensadas para silhuetas distintas.
Por isso, a moda plus size não é só uma pauta de comportamento, mas uma chance real de negócio para quem fornece matéria-prima. Quanto mais completo o portfólio, mais as marcas conseguem criar peças que valorizam quem as veste.
O Grupo Adar, formado por Adar, Artec e Texliving, trabalha justamente nesse ponto de partida da cadeia. O mix de tecidos nacionais e importados atende moda e decoração, e a Artec, unidade de malha nacional, fabrica e tinge com equipamentos modernos, com estamparia própria desde 2014.
Oferecer matéria-prima versátil é permitir que a indústria responda a um público diverso sem abrir mão de qualidade. É nesse encontro entre demanda e capacidade produtiva que há oportunidade.
Um mercado que pede presença
A inclusão na moda plus size deixou de ser tendência passageira e virou expectativa de quem consome. Passarelas como a da Victoria’s Secret e iniciativas brasileiras como o FWPS provam que representatividade cria conexão e movimenta receita.
Para o setor têxtil, o convite é direto: produzir variedade é acolher um Brasil que veste muito além do 44. Quem compreender isso primeiro larga na frente.


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